Dreamer

O primeiro astronauta brasileiro, Marcos Pontes acabou de pousar em segurança (com cara de enjoado, é verdade, pois o retorno não é nada fácil, com pressões superiores a 6G’s, entre rodopios e outros solavancos) no deserto do Casaquistão. Este fato pode significar pouco para nosso país (mesmo em termos de ciência) e o investimento é questionável por muitos, especialmente do ponto de vista de prioridades no programa espacial brasileiro (este incluso), entre uma série de críticas que podem ser feitas. Porém olhando pela óptica estritamente humana, gosto de ver que Marcos Pontes é mais um exemplo de que vale a pena sonhar e fazer seus sonhos acontecerem. Devo confessar que realizei um sonho de criança através do vôo de Marcos Pontes e estou emocionado por isso.

Por muitos anos, quando ainda criança, intercalava sonhos e fantasias mistas de ser de piloto de avião, astronauta ou mesmo de ter superpoderes para poder voar (note: não como o superhomem e aquela roupinha ridicula), sonhos estes que abandonei ao amadurecer e enfrentar a dura realidade da vida, coisa aliás que 99% de nós fazemos, com exceção de alguns poucos perseverantes. O máximo que me aproximei deste sonho foi tirar o brevet (piloto privado) antes mesmo de da carteira de motorista (fato aliás que gosto de contar como vantagem para os amigos). Algumas horas de vôo sozinho em um CAP-3 (vulgo paulistinha) no interior paulista, nas proximidades de Sorocaba (onde brevetei em 1995) são umas das memórias mais vivas e emocionantes da minha vida. Hoje não voo mais, é muito caro e já não posso mais bancar tal sonho (serei eternamente grato aos meus pais pela oportunidade que me proporcionaram na ocasião). Por esta razão o vôo de Marcos à ISS foi uma espécie de flashback aos meus sonhos infantis.

Ter uma visão privilegiada (com os próprios olhos) do planeta onde vivemos deve ser uma experiência absolutamente indiscritível, reservada a homens de muita sorte. E um deles vêm de um lugar bem próximo de nós, de Bauru (lugar aliás para onde já voei sozinho). De um sonho de criança, passando de piloto de jatos, Marcos agora faz parte do seleto clube de seres humanos que já botaram o a cabeça para fora deste mundo e que trabalharam a vida toda para isso. Parabéns pela conquista e pela realização do seu maior sonho Marcos.

Este post é altamente off-topic e tem como fundo musical “Dreamer” do Supertramp. 😉

Aliás, se você se interessa pela exploração espacial, gosta de aviação e de outras coisas nerds do gênero, recomendo fortemente a leitura do excelente “Rumo ao Infinito” de Salvador Nogueira, jovem jornalista cujo texto é impecável e delicioso de se ler. O prefácio do livro inclusive é do próprio Marcos Pontes.

Update em 10/09/2009: eis que alguns anos depois deste post, conheci e tive um rápido bate-papo com Marcos Pontes – http://www.cfgigolo.com/2009/10/tietagem


One Comment on “Dreamer”

  1. Beck Novaes says:

    Sonho com o dia em que os pais deste país possam incentivar seus filhos a serem cientistas também e não apenas jogadores de futebol. Somos “penta”, mas o nosso primeiro astronauta só conseguiu ir para espaço este ano para fazer experiências com feijões (sei que não é só isto, mas o objetivo é a dramaticidade mesmo). Enquanto isto, aqui na terra, Marcos Valério e sua turma lutam para mandar para o espaço o restante de dignidade do cidadão Brasileiro.

    O melhor do Brasil é o Brasileiro? Como, se para cada Ronaldo ou Marcos Pontes nós temos dois Delúbios e Marcos Valérios?